Esta linha de pesquisa reúne estudos que procurem investigar e analisar a cultura da memória no campo das produções da Economia Criativa, envolvendo práticas memorialísticas implantadas por empresas, instituições governamentais e sociedade civil.
A emergência da memória como uma das preocupações culturais e políticas centrais das sociedades ocidentais é um fenômeno identificado pelo crítico e professor de literatura Andreas Huyssen (2000, 2004, 2009, 2014). Caracterizado por uma volta ao passado, este movimento vai se contrapor com a crença exacerbada no futuro, que caracterizou as primeiras décadas da modernidade do século XX. Esta ascensão é gerada por diversos fatores, incluindo eventos políticos como o fim das ditaduras na América Latina, a queda do muro de Berlim, o colapso da União Soviética e o fim do apartheid na África do Sul. Do campo político, a cultura da memória se expande para outros cenários. As evidências estão no surgimento e na valorização de uma cultura da memória, que concentra um número cada vez maior de passados num presente simultâneo e sempre mais atemporal: modas retrô, móveis retrô autênticos, museologização da vida cotidiana através de câmeras filmadoras, Facebook e outras mídias sociais, reencontros saudosistas de músicos de rock mais velhos etc. Mais recentemente, a expansão da cultura da memória encontra eco nas empresas, que se apoiam na memória para construir uma identidade institucional como um ferramental de relacionamento com seus públicos de interesse. História, memória, tradição e nostalgia são temas cada vez mais presentes nas ações e práticas de comunicação das empresas.